Projeto de estudantes de Itajubá desenvolve prótese biônica em 3D de baixo custo

Pomerode News

A presença de uma universidade em Itajubá (MG) mostrou a força de estudantes no desenvolvimento de projetos que melhoram a qualidade de vida das pessoas. Mais do que um ambiente acadêmico, o campus trouxe tecnologias que podem, em um futuro próximo, impactar diretamente a rotina de quem vive por lá. Um dos exemplos mais fortes é a montagem de uma prótese biônica em impressora 3D, que teve início em 2018.

Projeto de estudantes de Itajubá desenvolve prótese biônica 3D de baixo custo

Projeto de estudantes de Itajubá desenvolve prótese biônica 3D de baixo custo

Longe de materiais caros e tecnologia inacessível para a população em geral, a prótese desenvolvida por um grupo de alunos da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) parte de princípios básicos. Tudo de baixo custo, impresso em 3D, com acabamentos simples. (Veja mais no vídeo acima)

Na prática, a prótese biônica capta sinais elétricos de nervos do paciente, que levam à movimentação do membro. A ideia surgiu após uma visita do grupo Ex-Machina, de estudantes de vários cursos da Unifei, a uma fábrica de próteses em São José dos Campos (SP).

Materiais de baixo custo deve colocar prótese biônica com preço mais acessível no mercado — Foto: Fernanda Rodrigues/G1

Materiais de baixo custo deve colocar prótese biônica com preço mais acessível no mercado — Foto: Fernanda Rodrigues

“Era aquilo que a gente queria fazer no nosso projeto. A gente começou a pesquisar a parte de biomedicina, pra ter mais conhecimento de como é a relação do homem e da máquina, e conseguir desenvolver a nossa prótese”, explica a diretora geral do grupo, Tamires Gomes Targino.

Ter a possibilidade de aplicar os estudos em produtos para a comunidade foi o gatilho inicial para o grupo. “Existem diversos projetos aqui dentro da universidade e o nosso é um dos que se difere principalmente pelo fato de ter o maior contato com a sociedade”, analisa Tamires.

“A gente já teve oportunidade de conversar com pessoas que não têm um dos membros e ver qual dificuldade encontraram no dia a dia. E a gente percebe que algo simples pra gente, para eles não é tão simples. Poder voltar essa funcionalidade, deixa-los com um dia a dia mais prático, é muito gratificante”.

Com o baixo custo, a principal meta vai além de facilitar a vida de quem não tem um dos membros – a ideia é encontrar parcerias e arrecadar fundos para disponibilizar as próteses de forma gratuita a quem precisa. Segundo levantamentos do grupo, a tecnologia avançada de próteses no mercado coloca o produto com preços que chegam a R$ 130 mil.

Estudantes de Itajubá (MG) desenvolveram tecnologia de baixa custo para próteses  — Foto: Fernanda Rodrigues/G1

Estudantes de Itajubá (MG) desenvolveram tecnologia de baixa custo para próteses — Foto: Fernanda Rodrigues

Usar a tecnologia para melhorar a vida das pessoas com deficiência tem um termo chamado tecnologia assistiva. Ainda pouco debatida no Brasil, foi vista como nicho de trabalho para os membros do Ex-Machina. “É trazer isso para dentro da universidade e conseguir desenvolver atividades com um projeto voltado pra isso”.

A prótese

A prótese é feita de forma digital e impressa no plástico em 3D, peça por peça. Depois, é montada com ajuda de pinos e recebe um acabamento em laboratório pelos participantes do projeto. O protótipo desenvolvido imita movimentos de todas as partes dos dedos.

Para a prótese funcionar, eletrodos são instalados na parte próxima à amputação do paciente. São eles que levam os sinais elétricos por cabos e levam à movimentação do novo membro.

“Depois dos sinais serem ligados, eles são passadas por uma placa que cuida da transmissão. Então ela faz o movimento dos dedos e consegue contrair para simular o movimento de uma mão”, explica Álvaro Faustino Pereira, diretor da subequipe de Estrutura.

Prótese é impressa por equipamento 3D e recebe acabamento — Foto: Fernanda Rodrigues/G1

Prótese é impressa por equipamento 3D e recebe acabamento — Foto: Fernanda Rodrigues

Com ela, é possível ter movimento preciso, pegar objetos e indicar locais. O desenvolvimento da indústria 4.0, com impressão 3D e uso de materiais de custo mais baixo, foi possível implantar o modelo mais econômico.

“Comparada aos outros materiais, ela é muito mais barata, e consegue fazer os mesmos movimentos, consegue ser tão versátil quanto uma que é mais cara”.

Mais projetos na região

A ideia de criar uma prótese com custos menores também foi a inspiração de alunos do Inatel, em Santa Rita do Sapucaí (MG). O diferencial em relação aos outros do mercado é a facilidade – os desenvolvedores querem colocar a venda o projeto, e não o produto em si. A intenção é que qualquer pessoa possa imprimir a prótese.

“A gente vende o projeto, que é para a pessoa fazer. Ela compra o projeto e a gente dá o curso de montagem, para que ela mesma possa fazer a manutenção. Como deixar a pessoa mais independente do que isso? Ela faz a própria mão, a própria manutenção”, explica o estudante Matheus Norberto Magalhães.

Estudantes apresentaram projeto de prótese em feira tecnológica — Foto: Régis Melo/G1

Estudantes apresentaram projeto de prótese em feira tecnológica — Foto: Régis Melo/G1

O preço estimado pelos estudantes para venda do projeto varia de R$ 750 a R$ 2,5 mil. O foco inicial para os estudos foi o auxílio a crianças com deficiência do membro superior.

“Elas sofrem muito, elas se sentem excluídas da sociedade, principalmente no ambiente escolar. Um dos objetivos é trazer independência para a criança e poder auxiliar ela em um ambiente escolar”.

Além das crianças, o público universitário é outro alvo do grupo. “Todas essas próteses são fabricadas no FabLab (Laboratório de Ideação do Inatel). Por meio dessa parceria, a gente vai levar essas mãos robóticas para as universidades”.

Além da prótese

Usar o conhecimento de sala de aula para facilitar a vida de pessoas próximas também deu ao grupo Ex-Machina, de Itajubá, a chance de ampliar os projetos. Além do desenvolvimento da prótese, recentemente os integrantes se dedicaram ao planejamento de um jogo matemático para deficientes atendidos pela Apae da cidade.

“A gente também tem um contato com o Centro de Inclusão e Acessibilidade de Itajubá, que atende pessoas com deficiência na cidade, então tem maior contato com pessoas com deficiência”, explica Tamires.

Prêmio, impresso em 3D, foi dado ao grupo Ex-Machina por projetos na universidade — Foto: Fernanda Rodrigues/G1

Prêmio, impresso em 3D, foi dado ao grupo Ex-Machina por projetos na universidade — Foto: Fernanda Rodrigues

Os projetos de inclusão também devem chegar a uma lanchonete, com uma parceria recente, que terá o cardápio em libras e braile. “E a gente está realizando um treinamento com a galera que trabalha lá para que eles possam atender pessoas em libras”.

São ideias que também devem chegar em breve à Unifei. No campus, o grupo quer aplicar placas em braile em todas as salas, além de placas que ensinem libras.

“Principalmente porque esse ano na Unifei e em várias outras universidades federais no Brasil a gente teve a aceitação da cota para deficientes. Então a gente espera, de verdade, que aumente o número de pessoas com deficiência na universidade e que a gente consiga auxiliar pelo menos um pouquinho a acessibilidade aqui dentro”.

Grupo quer aplicar acessibilidade dentro e fora da universidade em Itajubá (MG) — Foto: Fernanda Rodrigues/G1

Grupo quer aplicar acessibilidade dentro e fora da universidade em Itajubá (MG) — Foto: Fernanda Rodrigues

Os próximos passos

O futuro parece bem perto para os jovens que querem que tecnologia tenha um impacto real na vida da comunidade, aliado ao preço acessível. A prótese biônica da Ex-Machina segue em fase de testes em máquinas. A próxima etapa deve levar os testes a humanos.

“A gente está em busca de uma pessoa pra conseguir realmente testar. A previsão é que até no começo do ano que vem a gente tenha a prótese completa e essa oportunidade de testar diretamente em quem precisa”.

Grupo que inclui 20 estudantes desenvolveu projeto de prótese biônica em Itajubá (MG) — Foto: Fernanda Rodrigues/G1

Grupo que inclui 20 estudantes desenvolveu projeto de prótese biônica em Itajubá (MG)

Fonte: G1