Sob a sombra da Figueira bicentenária

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Pomerode abriga o maior espécime de toda a Região, localizado em uma propriedade que integra a Rota do Imigrante

 Na localidade de Ribeirão Souto, as vastas áreas verdes chamam a atenção de quem passa pelo lugar. E foi exatamente esse local bucólico, rodeado de mata, com muito ar puro e água cristalina que conquistou o casal Maria Rita Garcia Pestana e Gavin Paulo Bourdon. “Nós morávamos em São Paulo, mas já conhecíamos Pomerode quando decidimos nos mudar. Queríamos um lugar bonito, com segurança e bem próximo à natureza. E na primeira vez que chegamos aqui com o corretor já nos apaixonamos”, conta Maria Rita.

Quando se mudaram para a propriedade de aproximadamente 17 hectares, em 2002, não podiam imaginar a riqueza que estava escondida em meio à Mata Atlântica. “Um dia, quando já estávamos morando aqui, um vizinho nos perguntou se já tínhamos ido ver a árvore gigante”, relembra Gavin.

O casal afirma que foi uma surpresa enorme quando abriram e seguiram uma antiga trilha pela propriedade até chegar à majestosa árvore. “Nunca tínhamos visto algo parecido e, por isso, ficamos muito surpresos. Foi então que entramos em contato com Universidade de Blumenau (Furb), para que nos ajudassem com informações sobre esse precioso achado”, expõe Gavin.

Foram os biólogos, Francieli Stano e Luciano Moreira, na época estudantes, que fizeram o reconhecimento da espécie Ficus Organensis e fizeram mais uma importante revelação. A árvore, de quase 30 metros de altura e um perímetro de caule que ultrapassa 14 metros, era centenária, ou melhor dizendo, bicentenária. “Pelas avaliações que realizaram a partir das análises feitas, a figueira tem idade aproximada em 260 anos e é o maior exemplar já encontrado na região do Vale do Itajaí. Quanta história e riqueza guarda um exemplar como esse. Sem contar a rica biodiversidade entre bromélias, samambaias, pequenos mamíferos e aves que vivem nela. Nos dá uma energia e uma paz poder admirá-la”, declara Maria Rita.

Visitação

E foi a partir desse sentimento que o casal decidiu compartilhar com amigos, familiares e visitantes. Os esforços iniciaram em preservar a área de mata intocada ao redor da gigantesca figueira, bem como recuperar uma margem um pouco maior, ao seu entorno. “Tivemos a plena convicção que precisávamos manter e preservar essa figueira histórica. Hoje a propriedade tem cerca de 11 mil metros quadrados de mata em seu estágio mais primário e outros 30 mil que estão sendo recuperados de forma natural”, explica Gavin.

Então, além de recuperar e manter o local, decidiram também realizar visitas guiadas até a figueira bicentenária. Atualmente, a propriedade onde se encontra a figueira com mais de 260 anos faz parte da Rota do Imigrante e recebe grupos para as visitas mediante agendamento.

“É preciso conhecer para que se crie o desejo de preservar. Por isso, começamos com esse importante trabalho para a recuperação e manutenção das espécies. Temos uma riqueza de biodiversidade aqui fantástica e sabemos que esse contato tão próximo com tudo isso é o que desperta o interesse em cuidar e preservar o meio ambiente. É isso que trabalhamos com essas visitas, o espírito de equipe, a educação ambiental e, acima de tudo, o respeito ao nosso ecossistema”, finaliza Maria Rita.

Sobre o passeio

Quem visitou, voltou para casa com muitas recordações e aquele sentimento gostoso de querer retornar. Para Carla Wazlawick, que já tinha feito outras caminhadas no município, foi emocionante o contato tão próximo com a natureza. “Foi incrível porque não estamos acostumados a explorar uma natureza tão rica. A nossa cidade é maravilhosa e precisamos aprender a conhecê-la. Esse contato com a figueira foi emocionante e deu vontade de ficar por lá, só admirando”.

Da sede da propriedade do casal Maria Rita e Gavin a 180 metros acima do nível do mar, ponto de partida da caminhada, até a árvore centenária a 380 metros acima do nível do mar, é percorrido um trajeto de subida, através de uma antiga estrada que cortava o terreno e trilhas, que dura aproximadamente 50 minutos. Todo o percurso é guiado pelo casal e inclui paradas estratégicas para pegar um fôlego, curtir as belas paisagens e ter contato com a biodiversidade do local.

Vá com roupas confortáveis e um tênis próprio para caminhadas. Ah! E não esqueça de levar água para se hidratar.